Regressámos à Pista Coberta de Pombal para os Campeonatos Regionais de Santarém, Leiria, Coimbra, Castelo Branco e Guarda. Estavam seguramente cerca de 500 atletas em competição.
O ano passado falei-vos do evento, das participações e do entusiasmo.
Desta vez deixo o video da Estafeta.
Vejam mais provas no Youtube no Canal CorreComAlma.
Devem ter reparado que tenho andado um pouco afastado destas lides. Tenho dedicado mais tempo ao site e ao projecto CorreComAlma no seu global.
Tenho tentado incentivar cada um e incentivar-me a mim mesmo para seguirmos dando o melhor cada dia. Tenho de dizer-vos, às vezes é duro mas vejo em algumas dificuldades e adversidades um sabor especial, qual sensação do dever cumprido.
Nas trocas de mails, entre trabalhos de alunos, contactos diversos sobre o projecto e troca de impressões sobre treinos que não posso acompanhar, de vez em quando aparece uma maravilha de relato. Quase parece que estávamos lá a acompanhar.
Senão, leiam este do Luis Crisóstomo sobre os seus treinos na Covilhã. Tempos à parte, porque o frio pertuba mesmo a performance, deliciem-se com o texto, como já tive oportunidade:
"Boa tarde!
Acabo de ler o teu mail sobre o projecto “corre com alma”. De seguida faço forward para os meus contactos.
Aqui nestas terras do gelo, está o frio habitual, embora neve não se aviste hoje… O treino de 5ª, que começou às 19h, como deves imaginar foi mesmo sobre forte frio, com a agravante de uma forte nortada. Portanto, se estavam 5ºC àquela hora, com o efeito do vento sentíamos uma temperatura claramente abaixo de 0. Apesar de tudo o treino não foi mau. Como o vento ajudava não tinha de aplicar uma força tão violenta, pelo que consegui ir rápido (mas não fazendo mais rápido que o normal) e com uma técnica muito facilitada.
Hoje o vento mudou e isso nota-se nas marcas das séries de hoje. Passou a ser desfavorável na recta final e em parte da curva, embora esteja bem mais fraco. O frio continua, ao sair de casa a informação do computador dava -1ºC, às 10h30. Treinei um pouco mais tarde que o habitual mesmo para dar tempo a aquecer um pouco (e a acordar bem). Mesmo assim, ao voltar a casa ao meio-dia e meio, ainda o lago de jardim pelo qual passo estava gelado…
Chega de conversa! Claro que mesmo com este tempo se tivesse gente para puxar poderia fazer menos um segundo ou 2. Tentei esforçar-me por imaginá-los!
600m: 1’47”80
500m: 1’30”70
300m: 45’43
200m: 27’41
E é tudo daqui. Espero que o treino aí tenha corrido pelo melhor! Para a semana é a valer!
Estamos a chegar a Dezembro e vêm aí as primeiras provas de pista (coberta). É o momento ideal para lançar mais um desafio corre com alma. Em Junho desafiamos atletas mais velhos, pelo desta vez as marcas a superar são propostas aos mais jovens (quase todos juvenis).
Vejamos o quadro de marcas a alcançar para conquistar a t-shirt desafio (o diploma que certifica o empenho e a atitude que são necessários para que estes jovens consigam as referidas marcas).
Atleta
Prova
T-shirt
Prova
T-shirt
Prova
T-shirt
Jéssica Coutinho
60m
8,10
200m
27,00
60barr.
9,50
Cristian Rosa
60barr.
9,00
200m
24,00
800m
2,04.00
Tamara Branco
60m
8,60
200m
29,00
60barr.
10,50
Kátia Amaral
60m
8,30
200m
28,00
400m
61,00
Diogo Marques
60m
7,20
200m
23,00
400m
52,00
João Oliveira
60m
7,60
200m
24,00
400m
52,00
Hugo Nunes
1500m
4,15.00
3000m
9,10.00
5000m
15,30.00
Daniel Bastos
400m
53,00
800m
2,04.00
1500m
4,15.00
Pedro Beira
400m
53,00
800m
2,04.00
1500m
4,15.00
Helena Correia
200m
28,00
400m
61,00
800m
2,24.00
Rúben Elias
60m
7,60
200m
23,50
60barr.
9,00
Mara Ribeiro
400m
61,00
800m
2,24.00
1500m
4,50.00
Joana Costa
400m
61,00
800m
2,24.00
1500m
4,50.00
Anna Hurlebaus
800m
2,24.00
1500m
4,50.00
3000m
10,45.00
Ana Canadas
800m
2,24.00
1500m
4,50.00
3000m
10,45.00
Miguel Rodrigues
800m
2,10.00
1500m
4,25.00
3000m
9,30.00
Miguel Carvalho
800m
2,10.00
1500m
4,20.00
3000m
9,20.00
Oswald Freitas
400m
54,00
800m
2,10.00
1500m
4,25.00
Barbara Carapeto
800m
2,35.00
1500m
5,15.00
3000m
11,00.00
Tú
Criatividade &design (*)
A novidade neste 2º desafio é que abrimos a outros jovens que queiram tomar parte e para além do desafio atlético (marcas a conquistar), desta vez temos também o desafio artístico e criativo (*) que consta de desenhar a t-shirt. Tem as seguintes características:
Participantes: Todos os que queiram, desde que participem em pelo menos 3 das nossas sessões de treino (Estádio Municipal de Rio Maior);
Motivos da t-shirt: desenho que dê a entender a capacidade de superação, conquista e auto-realização;
Logotipo e texto: deve conter o texto “Desafio corre com alma” com o logo que apresentamos ou outro que queiras criar (nas costas “correcomalma.com” seguido de “…eu consigo”).
Cores: todas as que desejares.
Ofertas: t-shirt corre com alma para todos, t-shirt desafio corre com alma (em coolmax) para o vencedor
é com imenso prazer que vos anuncio que o site "corre com alma" está finalmente on-line. Depois de algum trabalho extra durante vários meses, com a colaboração de várias pessoas, uma das faces mais visiveis do projecto de desenvolvimento do talento que intitulámos "corre com alma" é agora uma relidade.
Visitem, divulguem, deixem os vossos comentários e sugestões, e façam parte da nossa equipa - queremos contar com todos . Uma pequena colaboração de cada um, dá um grande contributo para todos.
5.50h da manhã toca o despertador. Incrivelmente, quase não me custou levantar. Talvez porque combinámos que o inicio do treino seria às 6.05h,
-6.05h, 6,10h, junto ao estádio.
-Ok, lá estarei.
… E se está combinado…, está combinado. Os compromissos assumidos são para cumprir – neste caso o que acordámos foi que pelo menos uma vez por semana eu o acompanharia, num dos seus treinos matinais.
Refiro-me ao NNunes que este ano decidiu investir mais em si como atleta. Até à data, o investimento está a ser bastante bem sucedido com recordes pessoais a cada prova.
Meia-maratona Sportzone (Porto Gaia) em 17º com 1h09,14 e este fim-de-semana na Corrida do Tejo (Oeiras) 8º com 31,56.
Por agora o treino tem sido apenas de volume, especialmente com corridas de intensidade baixa e média, sendo que progressivamente iremos começar com treinos mais específicos. A adaptação está a ser bastante bem conseguida, e os apoios que temos tido de outros profissionais, nomeadamente para treino mental e psicológico, e ao nível da recuperação física, com a equipa do Centro Olímpico de Rio Maior têm sido uma mais valia imensa para que o investimento tenha os frutos desejados.
Ele está de volta. Vejam bem amigos, o e-mail que recebi:
Enviada: dom 27-09-2009 14:44
"bom dia DR. Paulo Paixão Miguel.
faz hoje precisamente 10 anos que chegou á peninsula iberica o anticiclone de origem alcatrão.
depois de alguma instabilidade e durante estes ultimos 10 anos este anticiclone ainda se mantem em actividade, no entanto baixou a sua intensidade nestes dois ultimos anos devido ás alterações cilamtericas (lesões) registadas nesta região.
Ultimos estudos feitos pela NASA indicam que ele está de volta, não com a intensidade de á 10 anos atráz, mas ainda assim com intensidade suficiente para causar estragos de certa forma avultados.
coincidencia ou não, preve-se que atinja a sua intensidade maxima lá para os fins de Novembro principios de Dezembro, exactamente como antes, temendo-se tambem que passe a tornado.
Os conselhos são os mesmos que há 10 anos atráz.
nota: a protecção civil aconselha em especial os proprietarios dos automoveis de marca audi que costumam estacionar junto á escola superior de desporto, que colem bem os simbolos ja que á passagem do anticiclone e devido ao aumento da sua intensidade pode arranca-los.
normalmente a sua formação e passagem é entre as 15 e as 17 horas.
furacao da estrada"
Estarei atento a estas performances do CC mais conhecido por furacão da estrada. No sentido de humor e qualidade artistico-literária, estão ao melhor nível, vamos ver na pista e na estrada..., loool.
Gostas de coisas complicadas…, então como é que nos conhecemos a nós próprios e interiormente?
Recebi faz dois dias esta sms de uma amiga. Uma pergunta muito interessante que eu lhe sugeri responder aqui mesmo no blog.
Parece-me que ela colocou esta questão, porque diz que cada vez que se encontra comigo e pomos a conversa em dia, supostamente para aclarar ideias sobre como melhorar no emprego, nas relações com outros, nos tempos livres etc…, em vez de isso acontecer, fica bastante mais confusa..., porque, diz ela, “eu lhe faço muitas questões”.
Acha ela que em vez de colocar questões sobre determinados assuntos, a fim de obrigar à respectiva reflexão, deveria dar ideias ou dizer qual a melhor solução, ou o que é que eu faria na situação A, ou B, ou C.
Não estando em desacordo com essas possibilidades, parece-me que cada um é que deve procurar o que é melhor para si. Neste sentido, se um pai, um professor, ou um amigo proporcionar um caminho para que possamos fazer uma reflexão e tomar decisões para escolher o que nos parece ser melhor para nós, estará a ter uma muito melhor contribuição para a nossa evolução. Tento várias vezes fazer isso, colocando questões e desafios a muitos dos que se cruzam comigo.
Tento também fazê-lo comigo mesmo, mantendo o meu diálogo interior actualizado. Contudo, ao receber esta sms, parece que esta simples questão que eu poderia ter colocado a mim mesmo, talvez por ter sido outra pessoa a colocar, teve um eco completamente diferente e bastante mais exigente.
A propósito disto, hoje mesmo durante uma corrida de quase uma hora na mata, e à conversa com um outro amigo, falávamos sobre a nossa profissão, as possibilidades que oferece e o que cada um gosta de fazer. De repente dei por mim a colocar questões que coloquei há 11 anos atrás quando mudei de local de trabalho. Aquando da nova oferta foram equacionados os prós e os contras de cada uma das possibilidades – eu optei por aquela que oferecia uma carreira mais promissora e remunerações bastante mais vantajosas. Contudo, 11 anos depois as questões continuam a ser as mesmas. Elas não começaram hoje, antes parece que ficaram adormecidas e de quando em vez quando alguma coisa vai menos bem, vêm à tona parecendo querer lembrar-me de por onde é o meu caminho. Na verdade continuo sem saber exactamente por onde é, mas aos poucos parece que alguns pequenos sinais me vão dizendo por onde…, não é.
Creio que a resposta à pergunta é exactamente essa – não existe resposta. Mas ao longo do caminho, ao fazermos a nossa análise do percurso já efectuado e ao olharmos para o que nos faz mover – algo que nos direcciona para os nossos sonhos, para aquilo em que acreditamos e para o que realmente gostamos, talvez comecemos a conhecer-nos um pouco mais.
Faz algum tempo que ando para escrever aqui alguns posts. Desde Julho, que tirei tópicos para vários, mas ficaram-se pelas ideias burbulhantes na minha cabeça e mais umas quantas reflexões entre os episódios habituais do dia-a-dia. Depois, com algumas leituras de Verão que estou a terminar e o in-sight que permitiram, desafiei-me a mim mesmo para escrever sobre alguns desses assuntos.
Ontem que foi um dia cheio, cruzei-me com uma amiga de longa data, daquelas que o conhecimento não é o mais profundo, mas que sempre me despertou uma certa curiosidade – é bonita, simpática e parece muito segura de si mesma. Tinha uma tatoo de equilíbrio lua vs sol que me chamou a atenção.
Fiquei a pensar nisso, no equilíbrio e nas minhas mais recentes descobertas existenciais, sobre a vida, sobre as relações entre as pessoas, sobre mim mesmo, sobre o que quero, o que sou, onde estou e como sou.
À noite, uma reunião de última hora que um amigo meu me arranjou com alto responsável de produção de material desportivo de uma marca internacional e o stress que foi para lhe tentar explicar o projecto que ando tentar implementar com mais algumas pessoas amigas e colaboradores – tentei ser eu mesmo e explicar da forma mais honesta e dizer realmente o que sinto sobre o assunto, mas que fiquei nervoso, fiquei…
Hoje, pesquisei umas coisas, para ver se encontrava a tradicional imagem de equilíbrio, nos meus livros e em alguns sites da net, li qualquer coisa e acho que fiquei mais confuso. Por isso vou deixar estas linhas e vou cortar a relva do jardim, que bem precisa e talvez um breve passeio de btt.
De hoje a uma semana têm inicio mais uns Campeonatos do Mundo de Atletismo, desta feita em Berlim. Mais uma vez de Rio Maior seguirão 5 atletas, um treinador e pelo menos 3 acompanhantes em turística.
Para nós, os turistas, vai ser mais uma oportunidade de férias numa nova cidade, o contacto com novas gentes e claro, de apreciar as performances dos melhores atletas do mundo.
Tem sido assim nos últimos anos, cada ano, uma nova cidade ou país com o entusiasmo de sempre. Com mais ou menos dias, mais ou menos entradas no estádio posso contar, Lisboa, Leiria, Barcelona, San Sebastian, Sevilha, Munique, Paris, Atenas, Helsínquia, Osaka e Pequim.
Faz agora precisamente 10 anos, em Sevilha 99, com o estádio cheio, recordo os milhares de espanhóis a gritarem pelos seus e particularmente pelo saltador Yago Lamela e o maratonista Abel Anton, medalhas de prata e ouro respectivamente. Foi talvez dos momentos mais arrepiantes e emocionantes que deu para sentir num estádio, tal era a atmosfera e o barulho e incentivos do público.
Em conversa com um amigo e companheiro de viagem recordo-me das suas palavras durante uma das jornadas, “eu acho que gostaria de correr aqui, isto é como uma festa, com tanta gente nas bancadas, acho que nem iria ficar nervoso”.
Por sinal, esse atleta esteve bastante perto de o conseguir, com marcas muito, mas mesmo muito próximas do acesso a esse tipo de Campeonatos. Contudo, a realidade é que quanto mais próximo mais nervoso e ansioso ele se apresentava, especialmente nos momentos competitivos.
Creio que talvez ele tenha percebido, que o seu maior adversário era ele mesmo. Parece-me que isso é valido para cada um de nós, seja para realizar mínimos para os Campeonatos do Mundo, para ter participação condigna nessa prova lutando por acesso à ronda seguinte, à final, às medalhas, e a qualquer outra actividade ou projecto pessoal em que estejamos envolvidos, o exame, o emprego, a apresentação…etc.
É o nosso verdadeiro confronto, o “eu” com as minhas capacidades e limitações considerando as expectativas que coloquei antemão e o meu desejo de conseguir, de triunfar e de agradar aos meus.
Claro que a competição também é com outros, mas porventura a mais dura talvez seja connosco próprios. Se conseguirmos estar sempre ao nosso melhor nível e ultrapassarmo-nos a nós mesmos, certamente seremos vencedores. Contudo, isso nem sempre acontece. Nem sempre conseguimos render a esse nível.
Faz agora dois meses, participei num evento de “coaching” para empresários. Um dos prelectores, Joseph O´Connor, que apresentou o “coaching” como sendo um meio e um processo que conduz ao que de melhor existe em cada um de nós – “the very best from people”…, “the very best from you”, questionava-se e questionava a assistência acerca dos motivos que levam a que diversas vezes, tal não seja possível. Sendo ex-guitarrista profissional e professor, reparou que em várias das suas aulas, os alunos quando o professor se ausentava da sala tocavam melhor e por sua vez quando este regressava, a qualidade voltava a piorar. Na opinião dele, o professor para aqueles alunos, era um agente de stress que limitava a criatividade.
Talvez este stress que os alunos de uma qualquer escola de música sentem seja exactamente o mesmo que um principiante sente quando participa pela primeira vez numa competição de âmbito regional, ou o estreante em competições internacionais de seniores, ou mesmo o atleta que tem o “peso” de um país às costas porque existem expectativas de medalhas.
As habilidades psicológicas e a abordagem que cada um tem para lidar com a situação é que são distintas e é possível verificar em principiantes exactamente aquilo que verificamos em atletas de alto rendimento, todo o tipo de actuações – atletas que ficam acima das expectativas e que as superam, atletas que ficam aquém do seu registo habitual, e atletas que cumprem o que se espera deles.
Nas próximas semanas, ao acompanharmos os Campeonatos do Mundo e particularmente no que diz respeito à representação portuguesa, teremos mais uma vez, como habitual neste tipo de provas, todo o tipo de actuações – acima, abaixo e dentro das expectativas.
Alguns atletas conseguem resultados excepcionais em provas “consideradas” de pouca importância e depois sistematicamente naquelas que se “consideram” mais importantes ficam aquém das suas prestações.
Talvez esses atletas se devam questionar a si mesmos, porque isso sucede? Porque razão não conseguem explorar o seu máximo potencial em determinadas situações e eventos?
Talvez esses atletas devessem aprender com os mais jovens. Ou talvez esses atletas e todos nós nos nossos maiores desafios pudéssemos ter a capacidade de reflexão, nos bons e maus momentos, que Car Lewis um dia teve, “Todos os atletas deviam ter presente que não se batem com os outros atletas, mas com as suas próprias capacidades. Seja o que for que já tenham conseguido, eles devem continuar a ir para além deles próprios”.