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Terça-feira, 15 de Julho de 2008

Crónica de Carl Lewis - Sou um eterno optimista

(in Público – 1/set/1993)

 

Todos os atletas deviam ter presente que não se batem com os outros atletas, mas com as suas próprias capacidades. Seja o que for que já tenham conseguido, eles devem continuar a ir para além deles próprios”
Neste ponto da minha carreira, isto explica tudo. Algumas horas antes da final dos 100m do passado domingo, eu copiei estas palavras para uma pequena folha de papel, esperando que elas me levassem à vitória. Elas inspiraram-me, mas não conseguiram fazer-me ganhar. Apesar disso, estas palavras significam muito para mim.
Eu deparei com esta frase num livro, “Viver com espiritualidade”, escrito por um amigo. Sentei-me num canto, sozinho, pensando no que tinha sido, no que tinha feito e no que queria continuar a fazer como atleta, e parecia-me que aquelas palavras tinham sido escritas para mim. Guarda-las-ei sempre na minha cabeça e no meu coração.
Porque este excerto podia resumir toda a minha temporada. Eu concentrei-me nas minhas próprias capacidades, como sempre tentei faze-lo, mas não investi como é habito. E sem esse investimento é impossível irmos para além de nós próprios. No fundo, eu tive problemas para me motivar este ano e a motivação é uma coisa que não se pode atear ou extinguir como uma lamparina na véspera dos Campeonatos do Mundo. O ano a seguir aos Jogos Olímpicos sempre foi muito difícil para mim, e este foi o mais duro. Mas talvez estas contrariedades me dêem “fome” para o ano que vem.
Não é fácil perder frente a todo o mundo. Mas eu sei que não posso ser perfeito, e eu tenho um grande coração. Voltarei em grande forma. Não deixem ninguém dizer o contrário!
Enquanto aquecia para a final dos 100m, sentia-me de facto muito bem, mas mal a corrida começou, não consegui manter o ritmo como o faço habitualmente. Não consegui converter a minha força em velocidade. Aos 60 ou 70m, ia atrás de todos, obriguei-me a respirar e a relaxar. Isso ajudou-me, mas era tarde demais. A 10 ou 15metros da chegada, acho que era quase o último e, tendo corrido como o fiz, fiquei contente de terminar onde terminei, em quarto, atrás de Linford Christie, André Cason e Denis Mitchel.
Perder a corrida mais importante do ano fez-me reflectir em certas coisas: será que devia ter dispensado tanto tempo e energia a volta da minha casa em Houston? Será que treinei demais, ou nem por isso? Será que participei mesmo nas boas provas? A lista de perguntas é infinita. Depois de ter discutido com o meu treinador, Tom Tellez, eu conclui que sou tão ra´pido como no passado em termos de velocidade pura, mas não sou tão explosivo. Isto deve ser resultado do meu treino. Não ter feito salto em comprimento este ano foi benéfico num sentido, mas noutro não. Permitiu-me competir sem problemas de maior nas costas. Mas, sem o treino de salto em comprimento, provavelmente perdi uma parte da potência que preciso nos 100m. Também dum ponto de vista emocional, o salto em comprimento fez-me falta. Pus de lado a minha prova favorita e, com ela, foram-se a minha capacidade de explosão e espírito de competição.
O aspecto mais difícil da minha derrota nos 100m nestes campeonatos era saber que não era apenas eu nem o Santa Mónica TC que estavam naquela camisola dos EUA: era todo o meu país. Eu sempre tive muito orgulho em representar os EUA nas maiores reuniões, mas perder fez-me pensar que deixei ficar mal muita gente.
De regresso ao meu hotel, algumas horas depois dos 100m, observava os meus amigos e companheiros de treino que viam televisão e falavam de politica, como é habito, e disse para comigo que tinha sorte de os ter à minha volta. Eles continuam os mesmos, quer eu perca quer ganhe. E rimo-nos muito, como normalmente. Afinal, todos nós tínhamos trabalhado, faz parte do negócio, foi mais um dia no escritório.
Como eu digo aos meus amigos, eu sou um eterno optimista. Em tudo o que nós fazemos podemos ler uma mensagem. Talvez a minha mensagem este ano, seja que eu devia ter trabalhado um pouco mais, sobretudo se quero continuar mais 3 anos, até aos Jogos Olímpicos de Atlanta.
Mas eu não me quero comprometer por muito tempo. Agora que a época terminou, gostava de tirar umas longas ferias e distanciar-me um pouco do que foram estes 3 anos loucos, com Campeonatos do mundo, Jogos Olímpicos e Campeonatos do Mundo de enfiada. Só depois voltaria a treinar-me, e o meu espírito estaria pronto para acompanhar o meu corpo na pista.. E, mais uma vez, seria inspirado por uma outra passagem do livro do meu amigo:
“Um atleta é sempre um artista. A arte não quer dizer uma folha com um desenho em cima. A arte significa disciplina… Não podemos tornar-nos amigos com letargia, indolência e falta de pontualidade”  
Carl Lewis
 
10 Medalhas Olímpicas (9 de ouro)
10 Medalhas em campeonatos do Mundo (8 de ouro)    
Em 1996 (35 anos) voltou a ser Campeão Olímpico de Salto em Comprimento
publicado por ppmiguel às 01:22
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